Publicações Haven Engenharia
Ter domínio em desenvolvimento de projetos baseados em EPC não basta
Texto: Helio Neves Jr, 09/11/2020
Como exposto no artigo de "Contratos EPC & EPC+", precisamos fazer mais e melhor. Precisamos crescer com os desafios atuais impostos por contratos tipo EPC+.
O domínio em processos tipo EPC precisam ser mantidos, sem apresentar riscos ao projeto. Isto permitirá que outros aspectos sejam aprimorados para um melhor posicionamento em questões contratuais aderentes ao EPC+.
Precisamos de superação, crescimento e entendimento que todo o domínio adquirido até aqui já não garante os resultados esperados e acordados com os acionistas. Isto é o grande motivador para mudanças e crescimento!
A humildade do saber (conhecimento) será de grande importância para os futuros desafios. Algumas áreas precisarão ainda mais de fortalecimento promovido pela mudança no como fazer.
Aspectos importantes para reposicionamento e melhor atendimento ao EPC+:
- Aproximar área de gestão contratual e área de produção;
- Desenvolver uma verdadeira engenharia de comissionamento;
- Proteger a empresa às severas exposições do processo;
- Dar proteção ao "trabalho pronto";
- Trabalhar no desenvolvimento de cultura;
- Revisar os processos de contratação de fornecedores.
Preparar a empresa com os aspectos acima, será de grande valor para sucesso de contratos EPC+.
Boa Sorte!
Maior participação jurídica no contrato
Texto: Helio Neves Jr, 22/10/020
Com a modalidade de contrato tipo EPC+, trazida pelo aprimoramento contratual, por necessidades empresariais e também por questões ligadas ao compliance, notou-se uma maior participação jurídica no decorrer dos projetos. Quem não ouviu a frase “está no jurídico...” ou “veio do jurídico...”.
De fato, o preto no branco está ainda mais presente nos contratos EPC+. Em muitos momentos, isto engessa a gestão e em muitos casos o projeto “paga a conta” com atrasos e outras perdas. Muitas questões que eram resolvidas no âmbito da gestão têm sido levadas ao âmbito jurídico e como esta é uma realidade, as empresas precisam se adaptar e se aprimorar para lhe dar com este cenário.
Sabemos que não é fácil, até porque somos retirados da zona de conforto! Em geral os contratos tipo EPC são recheados de engenheiros e técnicos de alta qualidade, mas que por vezes negligenciam questões contratuais.
Não adianta comissionar uma bomba no ano 2019 e achar que a mesma está entregue para o cliente. Esta bomba somente entrará em operação em 2021? Qual sua responsabilidade sobre a mesma até 2021? Quem preserva? Quem dá as garantias? Tem sobressalentes? A bomba estará completa no momento de uso? Quando for operar, a bomba estará em condições? O que você fez para isto? Os custos foram previstos?
Esta é apenas uma pequena demonstração sobre contrato tipo EPCM+.
Para atendimento e encerramento contratual, todas as questões serão reivindicadas, não bastando atestar que a nossa bomba está operando satisfatoriamente. Um dos desafios é que o cliente (em geral) se mostra fortemente preparado com seu corpo jurídico e do outro lado, a contratada se mostra melhor estruturada com corpo técnico. Em geral, esta equação termina com surpresas desagradáveis e por muitas vezes sem a proteção adequada por parte da contratada.
Contudo, o "sofrimento que surge" não ajuda em nada, pelo contrário, ele cria resistências e maiores perdas no processo de aprendizagem. É preciso colocar em prática os pontos citados no texto anterior sobre EPC+, desenvolver a cultura e a organização para vencer estes obstáculos. Um reposicionamento empresarial completo!
Fazer bem feito é fazer com entendimento contratual.
Você e sua empresa estão preparados?
Contratos EPC (tradicional) & EPC+
Texto: Helio Neves Jr, 28/09/2020
Quantas empresas você conhece, tendo trabalhado nelas ou não, capacitadas em desenvolver projeto na modalidade de EPC? Pare para pensar em que ano estes últimos projetos tipo EPC foram plenamente concluídos. Vamos falar mais sobre isto?
O aprendizado ao longo dos anos, após “lições aprendidas” com foco na melhoria contínua dos processos, ajudaram a transformar e profissionalizar ambientes que estavam carentes de “qualidade contratual”. Diga-se de passagem, que ao falar em qualidade contratual, estamos propondo olhar esta questão de uma forma mais amigável na visão de gestores e engenheiros.
Os contratos tipo EPC, após uma determinada época, ganharam muito em qualidade e controle, mas a abrangência também não ficou esquecida. Os contratos incorporaram aspectos (escopo) que podem ser identificados como uma nova fase do EPC. Isto mesmo, uma fase que somente se inicia após o término do EPC tradicional, dando origem ao que chamo de EPC+.
Para fins deste artigo, considero que contratos antes de 2013 eram contratos tipo EPC (tradicional) e após isto, surge o que classifico como contratos tipos EPC+. O “plus” é importante para diferenciar contratos de EPC antigos dos atuais, onde as empresas atualmente não encerram seus contratos ao concluir o EPC tradicional. Atualmente as empresas precisam, além de concluir suas atividades de EPC, comprovar que seus feitos garantem (asseguram) os resultados, configurando o sucesso do empreendimento.
Particularmente conheço apenas um caso de empresa que atingiu este patamar, ou seja, de ter concluído plenamente um contrato que chamo de EPC+. As demais não chegaram tão longe e foram obrigadas, por algum motivo, a interromper a trajetória.
Para atender as novas imposições contratuais não basta ser capacitado em contratos EPC, precisamos fazer muito mais e muito melhor. Ao contrário, certamente levaremos a empresa e seus acionistas a contabilizar perdas.
É notório, após 2013, a melhoria na profissionalização contratual. A forma de redigir e gerir os contratos, mudou! Quem não lembra, antes de 2013 contratos tipo EPC serem entregues incompletos? EPC se abandona? Isto também mudou...
Esta realidade mudou e as empresas que não estiverem prontas e estruturadas não conseguirão performar. Nada adiantará, depois mostrar que o contrato e seus desafios não foram observados.
Fique atento, pois seu escopo não termina mais quando você conclui o EPC tradicional. Precisa fazer muito mais, pois existe muito escopo pela frente, muitos desafios, muita exposição aos altos custos existentes no processo tipo EPC+. A empresa somente confirmará sua excelência após demonstrar funcionamento PLENO e atendimento PLENO aos requisitos contratuais.
Somente após esta fase, será possível contabilizar os resultados efetivos. Comemorar antes disto, somente com muita cautela!
O que fazer? Uma maior garantia de sucesso em um contrato tipo EPC+ está relacionado a leitura e entendimento contratual. Para isto a empresa precisa se adequar, buscando desenvolver estrutura que permita alcançar os resultados necessários após a fase do EPC tradicional, com visão, ferramentas, cultura e maturidade para enfrentar os enormes desafios trazidos para o contrato. Estes desafios são aparentemente ainda maiores, pois estamos na fase de transição, de aprendizagem.
No EPC+, as grandes ameaças iniciam quando menos se espera, o desafio é muito grande!
Destaca-se que após a engenharia, o grupo de suprimento e a construção estarem esgotados e certos de que o sucesso foi atingido, na realidade é quando de fato se inicia os grandes desafios.
A equipe também é colocada à prova, pois a mesma não terá necessariamente o perfil adequado para a nova fase e sobretudo estará cansada pelos anos de desenvolvimento e entrega para fazer o EPC.
O que fazer? Voltamos a leitura contratual que precisa ser feita de forma correta desde a fase de orçamentação, levando em consideração aspectos importante que farão a diferença. Com isto, sugiro forte atenção, revisão de processos e estruturação nos seguintes pontos:
Revisão do Processo de Contratação
- Relação com vendors
- Assistência técnica
Revisão no Controle:
- Falta de sobressalentes
- Necessidade de Materiais
- Itens perdidos
- Sobressalentes para o EPC+
Aprimoramento da Gestão:
- Limitações de processo fora do controle do EPC
- Sistemas projetados e parados há anos com garantias vencidas
Identificação de problemas potenciais:
- Válvulas e instrumentos não performando
- Dificuldades com instrumentação analítica
- Performance de equipamentos, sistema e outros.
Tanto em aspectos financeiros quanto técnicos, a necessidade de rever o processo de contratação de subfornecedores pode representar mais de 80% da mitigação de problemas em processos futuros.
Iniciando a carreira com o mercado em reestruturação
Helio Neves Jr, 17/07/2020
Frente à crise atual e buscando as adaptações necessárias para o momento que estamos, muitas organizações estão adotando uma nova distribuição dos profissionais que formarão o perfil da empresa. Para isto, a idade e o nível de conhecimento tem sido fatores relevantes. Isto tem formado o conceito do "mercado em restruturação". Dos mais novos, são exigidos conhecimentos impossíveis de terem sido acumulados e os mais velhos são retirados do processo! É sabido que um dos motivos para a contratação dos mais novos é devido as organizações buscarem profissionais para os próximos 20 e 30 anos, mas isto não é NOVO, sempre existiu e este é de fato o caminho para se manter a cultura e a existência das empresas ao longos dos anos.
Contudo, considero um erro estratégico das organizações não saberem "dosar a equipe" e com isto alcançar a formação necessária dos mais jovens ao receberem o conhecimento dos mais velhos. Uma equipe boa e que atende os pontos e desafios em debate no dia-dia pode ser composta entre 60% a 70% de profissionais novos e com pouca experiencia e complementando com profissionais de maior experiência.
Mas, ao contrário disto, percebe-se que empresas tendem a uma quantidade muito grande de profissionais novos e inexperientes e buscando suprir a falta do conhecimento como os "consultores" com carga horária parcial.
Recomendaria atenção na distribuição do perfil dos profissionais que formarão o grupo de trabalho de forma a alcançar os resultados esperados e projetados pela empresa, permitindo assim atingir as metas do projeto e as metas projetadas para os X anos à frente, com total aderência aos preceitos organizacionais e institucionais com total segurança e dentro dos custos e prazos estabelecidos.
O salário determinado pelo mercado
Helio Neves Jr, 02/10/2019
O salário quem define é o mercado!
Se existe uma conversa nada confortável atualmente; esta é o salário que tem sido oferecido aos profissionais de engenharia.
Deixando o salário mínimo do engenheiro fora deste contexto, o salário “justo” é definido pelo mercado!
Lembro dos bons salários de 2005 e ao compará-los com os bons salários de 2015, percebo aumentos médios de 3 vezes.
Certamente não existe índice que justifique tal aumento. Apenas como exemplo, se pegarmos o IPCA acumulado entre 2005 e 2015 o salário aumentaria em torno de 80%.
A pergunta é: Por que então os salários atingiram tal patamar, chegando a 3 vezes? A resposta é clara: O MERCADO.
O mercado é o regulador na época boa, mas também na época ruim, que estamos vivenciando no momento.
Este texto procura atenuar, se é que é possível, uma questão que tem sido muito comentada, ou seja, os baixos salários e os cargos de auxiliares oferecidos aos engenheiros, sem que se aplique (considere) a graduação existente.
O que ocorre é que o mercado sempre regula estas questões independentemente do nosso entendimento sobre “o que seria certo”. Em momentos de crise, ocorre um movimento peculiar dos dois lados (trabalhador e empregador). Assim, como o empregador busca pagar o menor valor possível, o trabalhador também “não entrega” o que seria sua fidelidade. Este é um processo normal em momentos de crise, pois ao contrário do que (nós da área de exatas) gostaríamos, não existe um ponto de equilíbrio para esta situação e assim que o mercado dá sinais de melhorias começa o pula-pula de galho, ou seja, os profissionais deixam suas ocupações em função de propostas “levemente” melhores, podendo deixar a empresa em pouco tempo (meses, semanas ou até dias) após ter entrado na mesma.
O que caberia aos profissionais, ao aceitarem uma determinada proposta de trabalho, é fazer sempre o melhor trabalho possível.
Não concordo com profissionais que aceitam o salário do mercado (mesmo julgando baixo) e que não desempenham o comportamento contratado.
Muitos colegas, ao invés de desempenharem suas funções, acabam dispersando no dia-dia com conversas melancólicas que envolvem um mercado retraído, salários baixos, condições precárias e um prazo curto de serviço... como se tudo fosse culpa do empresário que o contratou. Sejamos profissionais e façamos o bom trabalho ou recusemos a proposta!
Tenho percebido alguns amigos empresários com dificuldades em montar equipe não apenas pelos salários e condições, mas sim por “um falso de acordo” do profissional contratado, e isto é o que percebo nas camadas dos profissionais mais seniores!
O mesmo mercado que regula os baixos salários em momentos de crise, também derrubam o preço de venda do HH dos empresários de engenharia e isto precisa ser considerado pelos profissionais, não com o intuito simples de “aceitar a vida”, mas para buscar um entendimento mais amplo sobre a crise e suas repercussões, pois muitos empresários estão buscando sobreviver no cenário atual.
O empresário brasileiro também tem sofrido ao buscar contratos na área de serviços devido aos custos baixos!
Não concordo com movimentos que buscam simplesmente dizer que não podemos aceitar tais condições. Isto é fácil para aqueles que se encontram em situações financeiramente confortável, mas infelizmente esta situação é para poucos. A massa esmagadora precisa da condição oferecida pelo mercado. Assim, prefiro navegar a onda e aceitar o que estiver dentro da análise financeira de cada um e sempre buscar alternativas melhores.
Insegurança na Profissão
Helio Neves Jr, 11/09/2019
Durante minha experiência profissional, encontrei alguns colegas de profissão (engenheiros) que depositaram parte desta insegurança no fato de não ter feito uma formação técnica antes da universidade. Os profissionais que seguiram um caminho técnico antes da formação de engenharia tiveram experiências diferentes ao ter acesso ao mercado de trabalho com antecedência e com isto ter acumulado uma experiência favorável. Contudo, o caminho técnico não é regra (e nem mesmo o único caminho) para adquirir a segurança durante o desempenho das atividades como engenheiro. Alguns engenheiros recém formados chegam a comentar comigo que gostariam de fazer cursos técnicos para ter melhor domínio e desempenho no dia-dia! Não concordo e não recomendo! É bom comentar que o curso técnico em si, não é a resposta para esta situação. De fato, o profissional que seguiu a formação técnica e que desempenhou as atividades como tal, após ter seguido a formação como engenheiro se beneficiou do processo como um todo. Mas, precisamos virar esta página! Afinal, isto não acontecerá com os engenheiros recém formados que não seguiram o mesmo caminho, uma vez que os mesmos não desempenharão a função de técnico (via de regra)! Os engenheiros recém formados podem relaxar e buscar a “compensação” com cursos complementares (de extensão) que venham a suprir ou diminuir as aparentes faltas. Em geral, os engenheiros recém formados não tem a dimensão do conhecimento adquirido na faculdade. É comum nos depararmos com a frase “saí da faculdade sem saber nada...”, mas isto é uma bobagem, pois o conhecimento adquirido e a formação pensante realmente moldaram os engenheiros de forma positiva (via de regra). Minha sugestão aos recém formados: Concentrem-se no domínio mínimo, isto é fundamental! Não tentem abraçar o mundo, pois ele é grande demais... O profissional recém formado precisa identificar e separar aquilo que ele “DEVERIA” saber daquilo que ele “PODERIA” saber. Domínio mínimo é o que chamo do conteúdo que o profissional DEVERIA saber, e o mesmo está diretamente ligado a “primeira imagem” que ficará para o profissional (neutra ou negativa, mas nunca positiva) dentro de uma organização/ de um grupo. Já o que o profissional “PODERIA” saber, está diretamente ligado a imagem positiva que ficará para o profissional dentro de uma organização/ de um grupo. É como se fosse um plus! Parece tudo óbvio, mas isto perturba muito os profissionais recém formados! Recomendo: definir a lista de conhecimentos de um recém formado dentro de sua área e buscar o domínio sobre os itens considerados “DEVERIA” saber. Após isto, mantenha-se focado para adquirir e/ou consolidar estes conhecimento antes de dar o próximo passo. Caro recém formado, caso você tenha dificuldade para identificar a lista de conhecimentos que você “DEVERIA” saber" para uma melhor atuação e imagem dentro do mercado competitivo e precise de apoio, basta avisar-me que darei total apoio. Boa Sorte.
Qualificação Profissional: CONHECIMENTO!
Helio Neves Jr, 21/07/2019
A qualificação profissional é sempre um grande diferencial e principalmente, em um mercado em aquecimento, onde temos uma grande quantidade de mão obra disponível. As notícias positivas, aos poucos, começam a se materializar e já é possível perceber um mercado com novas oportunidades em alguns setores. A busca pela qualificação de forma a desenvolver o domínio em uma área de atuação é um fator de alta relevância na carreira dos profissionais. Contudo, o mercado atual apresenta certa carência neste assunto em função de fatores como o modismo, o comércio/marketing, a falta de orientação, as facilidades/exposição das redes sociais, entre outros aspectos. A conclusão deste tema, é que alguns profissionais iniciaram uma busca pelo certificado e não alcançaram de fato a qualificação necessária! Ocorre que nem sempre a conclusão de um determinado curso é a chave que lhe garantirá “estar qualificado”, principalmente no mercado atual, como falamos anteriormente. Pode parecer óbvio dizer, mas quem conecta a qualificação com o “estar qualificado”, é o conhecimento adquirido e não a conclusão de um determinado curso. Este último foi apenas um caminho escolhido. Sendo assim, cuidado na armadilha que você pode cair, afinal dedicar-se a um curso buscando estar qualificado representa investimento de tempo e dinheiro. Será que você está no caminho certo? Antes de decidir pelo curso escolhido, busque responder para si mesmo: Por que estou buscando este curso? O que este curso poderá agregar na minha carreira? Será possível converter o conhecimento em resultados? Estou apenas buscando dar um upgrade no meu CV? Este curso dará o upgrade do meu CV através do conhecimento que irei adquirir? Projete sua carreira com os pés no chão! Busque conquistar o domínio de determinado conteúdo antes do próximo passo, ou seja, “ande para depois correr”. A parada no mercado fez com que muitos buscassem diversas formações e não necessariamente o conhecimento. O conhecimento é o que de fato garantirá ao profissional uma carreira bem sucedida, pois os resultados aparecerão e serão notados. Siga o caminho do conhecimento. Boa sorte...